“Por outro lado a leitura, principalmente por entretenimento, parece estar se tornando uma prática de nicho, tal como a prática de um determinado esporte, como o bridge, por exemplo. Encontramos cada vez mais pessoas que vivem suas vidas muito bem lendo muito pouco. Ou, se a pessoa lê, ela parece ler uma dessas séries também vinculadas ao cinema e de grande exposição na mídia. É cada vez mais difícil depositar atenção contínua e persistente num maço culto de 500 páginas, mesmo para aqueles que ainda sacralizam o ato. A competição com outros textos e outras fontes de informação é hoje impressionantemente mais acirrada do que a meros 30 anos atrás. Porém, creio que os leitores cada vez mais reconhecerão textos “publicitários” (escritos para não-leitores alfabetizados) e os evitarão. Escrever diretamente, concisamente, devia ser uma mera questão de estilo, mas talvez já não o seja. Quando o estilo é cooptado pela comunicação da venda e do convencimento, escrever “difícil” (mas de forma clara, correta, direta) se torna engajamento descomprometido no texto – e evoca engajamento do leitor no texto e não na ideologia ou produto que está vendendo.”
Eduardo Pinheiro, Desconfie da leitura fácil

Notes

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